Alentejo - Monte alentejano - é assim que se vai chamar - Zambujeiro

O meu Tetra-avó André Bazola era agricultor, deixou aos filhos uma herdade perto de Montemor-o-novo.

Como tinha 3 filhos esta herdade foi dividida em várias quarelas e eu e os meus dois irmão ainda herdamos 2 quarelas, uma delas tinha uma casa e a outra quarela tem uma ruina e serve para pasto das ovelhas.

A minha mãe e a minha avó materna adoravam ir lá passar férias,  eu detestava, não sei porquê? Quando era pequena o monte não tinha água canalizada, nem luz, talvez fosse essa a razão.

A água iamos buscar à fonte em cantaros, a luz, tinhamos velas e candeeiros a petróleo, eu achava uma perda de tempo irmos para um lugar daqueles, sem amigos e sem nada.

Debaixo da cama tinhamos penicos, durante a noite ninguém ia à casa de banho, isto é, eu não ia! 

Eu sofria horrores com os bichos, tinha pavor das aranhas e dos aranhussos. Não sei se sabem a diferença, mas passo a explicar as aranhas têm um corpo grande e pernas curtas, e os aranhussos tem o corpo pequeno e umas grandes pernas. Durante a noite apareciam imensas e sem luz era horrivel.

Devia ter os meus 18 anos a minha mãe decidiu fazer um furo e na mesma altura houve melhorias na cidade e passamos a ter eletricidade, tudo mudou, menos a minha vontade de ir até lá. 

A minha mãe sempre que podia, fazia obras e melhorava o monte, mas mesmo assim a paixão pelo monte nunca aconteceu.

Depois de perder a minha mãe, o meu pai e a minha avó, eu e os meus irmãos decidimos fazer algumas obras no monte. Pintamos o monte por dentro e por fora , remodelamos a parte exterior. Construímos uma piscina pois achamos que seria uma mais valia para todos, principalmente para as crianças pois eu e o meu irmão Pedro temos 3 filhos cada um, o Miguel é solteiro e não tem filhos.  O Monte passou a ser o local de encontro da familia. A ideia foi genial, durante os verões costumamos passar uns dias juntos. A minha paixão pelo o monte mudou, mas sem grandes euforias, mas adoro juntar todos na páscoa e nas férias grandes. 

O meu filho do meio o Rafael inssiste que devemos fazer turismo rural, conseguiu convencer-me a mim e aos tios. Em breve vamos começar as obras de interior, vai ficar lindo de morrer.